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Eu Sou Abrates: Cibele Lopes

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1. Quem é você e o que você faz?

Meu nome é Cibele, nascida brasileira, sou de São Paulo. Academicamente, sou graduada em Música (Piano e Cravo), graduada em Audiovisual, Letras, pós-graduada em Cinema, e graduanda em Linguística. Profissionalmente, atuei em diversas áreas ao longo da minha vida, desde solista, professora de música, funcionária de um estúdio de gravação; enfim, muitas áreas. Atualmente, sou tradutora/intérprete e instrutora de idiomas, especializada em idiomas raros. Sou vegana e também utilizo uma parcela do meu tempo realizando traduções para algumas instituições e ONGs mundo afora.

 

2. Como você chegou à tradução e como foi seu início?

Acredito que o Universo já enviava sinais do que eu seria, profissionalmente falando. Desde pequena, sempre amei coisas diferentes e achei que seria Arqueóloga. Tinha paixão por hieróglifos e comecei a ler e a escrever aos quatro anos de idade (tendo sido pré alfabetizada pelos meus pais e irmãs mais velhas). Com o passar do tempo, nos tempos do colégio, me apaixonei por Física e pensei em cursar Física na faculdade, mas a Música falou mais alto e eu me graduei em Música. Cheguei a atuar em alguns países em pequenos grupos musicais, orquestras, ensaios musicais, ensino de música, mas, para me manter em outros países, decidi que não haveria hiatos entre uma passagem e outra (entre um país e outro) e eu buscaria entender a cultura, o idioma, enfim, de modo bem imersivo mesmo. Daí, então, decidi estudar o idioma de cada país em que estive e vivi. Acredito ser uma benção a capacidade que tenho de aprender e, principalmente, a inclinação para idiomas, pois, por alguma razão abençoada, consegui adquirir conhecimento e me certificar em muitos idiomas por muitos países, e hoje sou fluente em 18 idiomas.

 

3. Para você, qual é o aspecto mais incrível da sua área de atuação?

São tantos aspectos… tentarei ser sucinta (não sei se irei conseguir). O mais incrível é imergir em uma cultura por meio do idioma, da convivência. Criar conexões por meio do mundo, da comunicação, é espetacular. Outro aspecto incrível é ver quantos alunos estão mundo afora estudando, aprendendo, vivendo suas vidas por meio do aprendizado de idiomas que aprenderam comigo, e isso é muito gratificante! Recebo fotografias, vídeos, cartas, e-mails, souvenirs de alunos do mundo todo. Muitos formaram família, enviam fotos dos filhos, da família toda. É como se tivéssemos nos tornado uma grande família, e eu acho isso imensamente incrível. Não obstante, um fator incrível que, de acordo com a equipe médica que cuidou de mim durante o período em que precisei passar por uma embolização de aneurisma cerebral rompido, os idiomas ajudaram muito a manter funcionais as minhas atividades cerebrais. Tive, há alguns anos, um rompimento de aneurisma cerebral, fiquei em coma por 33 dias, e minhas chances de retornar eram menores que 1%, devido à gravidade da situação. Eu não me lembro de nada e fui informada posteriormente acerca de tudo o que ocorreu por meus pais, familiares, equipe médica e amigos. Eu era a paciente mais jovem que eles tiveram que tratar na época e foi um caso inusitado. Devido à minha ótima saúde, hábitos alimentares, enfim, o que a equipe de cirurgiões, médicos que cuidaram do meu caso disseram é que os idiomas me ajudaram muito a manter minhas funções cerebrais ativas. É claro que, acima de tudo, está sempre Deus e as bençãos que recebi Dele ao longo de minha vida.

 

4. E o mais desafiador?

Tudo o que envolve idiomas é incrível para mim, por mais desafiador que seja. Por exemplo, eu gosto de frio, neve, tempestade, calotas polares, mar aberto, ciclone (já estive em meio a tempestades, ciclones e, enquanto as pessoas corriam, eu preferia estar em meio à tempestade, por mais assustador e perigoso que fosse). Uso desse exemplo para elucidar que aprecio muitas coisas que são tidas como desafiadoras, perigosas. É claro que com bom senso, obviamente. Mas em termos de idiomas, eu amo tudo, exatamente tudo, por mais desafiador que seja. Porém, algo que eu realmente acho desafiador é lidar com o ego humano e com as más intenções humanas. Particularmente, eu acho que nada se compara ao fato de tentar lidar com o ser humano quando está mal-intencionado ou age pelo “crivo” do ego humano, no sentido de que, muitas vezes prestar serviços para quem, na verdade, não tem a intenção de honrar os compromissos comerciais (pagamento) é um desafio, praticamente uma árdua tarefa em cobrar o que deveria ser uma obrigação da contraparte. Como meus pais dizem: “a obrigação de quem deve é pagar” – então sempre tive isso comigo, ou seja, o fato de sempre honrar compromissos, mas infelizmente, lidar com pessoas que querem o serviço mas não pretendem honrar pagamento é realmente desafiador.

 

5. Cite um mito e uma verdade sobre sua área de atuação que você só descobriu na prática.

Em termos de ensino, quando um aluno tenta traduzir algo subjetivo ou um “dito popular” apenas fazendo uso do conhecimento dos significados (como quem tenta montar um quebra cabeça), não funciona. Muitas vezes, é preciso conhecer a cultura e entender a função daquele ditado popular para aquela cultura, trabalhando o aspecto subjetivo da linguagem e muitas vezes da associação com ditados na língua nativa do aluno. Então é mito que é possível traduzir um dito popular ou algo subjetivo utilizando apenas os aspectos gramaticais do idioma. Muitas vezes, é preciso utilizar o “lado” subjetivo da linguística com maior abrangência. Ainda em termos de ensino, quando um aluno procura aprender um idioma, quanto mais horas em contato com o idioma (não apenas junto ao professor, mas em tarefas diversas, utilizando o idioma), seja escutando uma música, ouvindo uma notícia, assistindo a filmes, séries, enfim, atividades diversas que o façam imergir um pouco junto ao idioma (como se estivesse na jurisdição do idioma, digamos assim) é válido, e capacita o aprendizado, e melhora as cognições quanto ao aprendizado do idioma em questão, isso é uma verdade. Quanto à tradução, é mito dizer que a tradução é apenas a substituição de palavras em outro idioma, uma vez que, ao realizar uma tradução, traduzimos não apenas palavras individuais, mas o significado de toda a mensagem, o aspecto como um todo. Portanto, cada tradução é principalmente uma expressão precisa das intenções do autor no idioma de destino.

 

6. Qual dica construtiva você dá para quem possa estar cogitando seguir na sua área de atuação ou para quem possa estar começando?

Gostar muito de desafios, ter altas doses de paciência para estudar e se dedicar. Acho que isso vale para qualquer área da vida, mas principalmente, ter contato com o idioma, com a cultura, investigar pormenores do idioma e não se “fechar” apenas no conhecimento teórico, mas nos práticos. Escutar o máximo de vezes nativos falantes do idioma que se pretende aprender ou atuar. Conversar e se comunicar quando possível no idioma, tentar ao máximo interagir, mesmo tendo a famosa timidez de início, aos poucos ganhar confiança e saber que todos nós somos seres humanos e o Sol nasce para todos os seres e ninguém é melhor ou pior que ninguém. É como executar uma peça musical: cada um irá interpretar à sua própria maneira, desde que respeite todas as descrições contidas na partitura. Em termos de linguagem musical, respeitar a dinâmica musical, o andamento, o compasso, enfim. Uma vez que a integralidade da partitura seja respeitada e executada como está descrito, a “vida” será dada por quem executa a peça/obra. A beleza está nisso e o desafio está nisso. Mas é um desafio incrível, na música, na tradução, na vida. Executamos como solicitado, mas o grand finale está nas mãos do profissional de determinada área. Ah, não desista! Por mais que pareça difícil, cansativo, enfim, por mais que haja intercorrências, crie metas e tenha objetivos. Um dia de cada vez. Empenhe-se em ser, não o mais famoso, mas o que realiza com amor e dedicação. O resto é resultado de um bom trabalho e dedicação.

 

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22 fev, 21