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Os desafios e oportunidades da localização de jogos

Republicação do texto do André Faure para o número 2 da revista Metáfrase, de dezembro de 2016.

 

Os desafios e oportunidades da localização de jogos

 

A bilionária indústria de jogos eletrônicos está nas manchetes. O interesse por seus profissionais, pelas somas enormes que transitam em seu ecossistema e por seus eventos grandiosos com cada vez mais cobertura pela grande mídia mostram o potencial para quem se especializa neste mercado. Como mídia narrativa, os jogos têm como um de seus pilares fundamentais a localização. O modelo de distribuição física e regional está com os dias contados, enquanto a distribuição digital (e portanto, global) cresce três dígitos ao ano. A pergunta que não quer calar nas rodas tradutórias é, claro, como fazer para entrar neste mercado. A resposta pode ser um pouco frustrante: você entra do mesmo jeito que entraria em qualquer outro mercado, entrando em contato com agência, clientes e fazendo a prospecção de você como profissional.

Ao mesmo tempo, é importante que o profissional que quer se ater a este mercado saiba pelo menos o básico sobre jogos, jogabilidade, mercado e também sobre os tipos mais comuns de produtos e materiais. O que é um MOBA? MMO? Como são os tipos mais comuns de arquivos? Como lidar com registros e ajustes culturais? É claro que cursos e oficinas com especialistas ajudam, mas para começar é importante entender um pouco do riscado. Acredito este ser um dos desafios fundamentais de quem quer trabalhar com games: entender a dinâmica dos projetos, as nuances linguísticas atreladas a um jogo e, ainda por cima, esmerar-se na arte da localização. Não é tarefa simples. CAT Tools são obrigatórias. As mais completas e líderes de mercado dão conta do recado, mas algumas agências utilizam ferramentas menos expressivas e alguns jogos, especialmente MMOs (Massive Multiplayer Online Games), às vezes têm suas próprias interfaces de localização. Treinamento geralmente é fornecido neste caso.

Bom, vou me candidatar, no que devo atentar? Bom, pequeno(a) Padawan, tenha o básico em dia: habilidades linguísticas excelentes, uma boa CAT Tool na manga e seu conhecimento de games debaixo do braço. Se conseguir descobrir o que esta ou aquela agência tem de projetos, os tipos de jogo, vale muito a pena estudar as características do produto, a linguagem da comunidade, e por aí em diante. Outra dica: não vá com muita sede ao pote. Comece com projetos pequenos e vá aumentando o volume. Assumir projetos grandes demais pode parecer uma oportunidade imperdível, mas pode mostrar-se uma faca de dois gumes. Note que a indústria de localização de games se comporta como qualquer outra indústria, e as maiores empresas normalmente têm contratos com as maiores agências. Procure se informar quem são as grandes do segmento.

Outra oportunidade são os desenvolvedores indies. Existe sempre um projetinho precisando de ajuda e que pode gerar experiência (algo muito importante), e seu nome já poderá aparecer em alguns créditos. Imagina se um deles vira sucesso mundial? É apostar e ver. Como é perceptível, o mercado de jogos não é nenhum bicho de sete cabeças. As dicas gerais cabem para qualquer vertical de tradução: estude, especialize-se, tenha as ferramentas certas, qualifique-se, venda seu peixe. A coisa boa? Aqui o trabalho é sempre diversão. Então, dê a cara para bater e divirta-se!

 

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