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O que é preciso para ser tradutor

Republicação do texto de Adriana Sobota e Mônica Reis para o número 1 da revista Metáfrase, de setembro de 2016.

 


 

Engana-se quem pensa que para ser tradutor basta saber um idioma diferente do seu. O bom tradutor é versado na sua língua materna e está constantemente se atualizando. Mais do que o idioma estrangeiro, é o seu próprio idioma que deve ser conhecido a fundo. A não ser que você também faça versões. Aí, a coisa complica um pouco mais.

Um aspecto importante e que é deixado de lado por muitos iniciantes (e por alguns tradutores experientes) é a questão da leitura, da atualização, da pesquisa fundamentada. Um tradutor precisa estar constantemente lendo sobre as áreas em que atua, sobre trivialidades (não existe conhecimento inútil para tradutor), sobre tendências do mercado, sobre gerenciamento de tempo e recursos. Muito se questiona o material disponível na internet, mas o tradutor profissional saberá tirar de qualquer página da web uma base para encontrar aquele termo que ele não conseguiu encontrar em lugar nenhum.

 

Mas vamos ao que interessa. Já tenho tudo isso. Onde eu encontro trabalho?

Não se iluda achando que vai mandar meia dúzia de currículos e vai ser aceito naquela agência dos sonhos que paga a melhor tarifa do planeta. Pode ser que você tenha sorte e consiga, mas o que acontece com a maioria de nós é ter que mandar vários currículos até, finalmente, conseguir fazer um teste para uma agência de tradução. E nem isso é garantia de que você vá conseguir trabalho imediatamente.

 

Agência? Mas eu quero traduzir literatura! Como eu faço?

O caminho é o mesmo, mas saiba que a quantidade de trabalho oferecida pelo mercado literário não chega nem perto daquela que oferece o mercado técnico ou jurídico, por exemplo. É só lembrar que até mesmo para que um livro estrangeiro possa ser traduzido, alguém teve que traduzir o contrato entre as editoras envolvidas no negócio.

 

E clientes diretos?

Bom, aí, já entra outra parte importante da profissionalização, que é a formalização para fins de emissão de nota fiscal. Muitos clientes diretos (e algumas agências nacionais) precisam de uma nota fiscal (para muitos deles, não adianta mandar um simples recibo ou um RPA) para justificar as despesas com tradução junto ao departamento financeiro. Aliás, a emissão de RPA não é mais aceita e é até ilegal. Muitas empresas fazem uso deste artifício para não ter que arcar com os encargos advindos de uma contratação em regime CLT. Antes de sair por aí espalhando seu currículo, você precisa conhecer o mercado, equipar-se (e saber usar todos os recursos que tem disponível), saber sobre a sua produtividade e limites. Precisa considerar a tradução como sua profissão e, para tal, precisa investir na carreira.

 

O futuro tradutor conta hoje com diversos recursos presenciais e à distância que podem ajudá-lo a tomar decisões mais conscientes e estruturadas sobre os rumos da sua vida profissional. Uma iniciativa da ABRATES para ajudar os seus associados neste sentido é o “Programa de Mentoria – Caminho das Pedras”. Nele, o estudante de tradução/interpretação, ou o profissional de tradução/interpretação com até dois anos de experiência, recebe orientações de um tradutor profissional sobre questões básicas relativas à profissão. Não dá para ser um tradutor de sucesso com atitudes de amador. Pense nisso.


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