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Gerencie sua energia: trabalhe menos e viva melhor

 

Quando trabalhamos, quantas vezes nos pegamos sentados na frente do computador, olhando para o trabalho, e nossa mente viajando… pensamos em tudo, menos no trabalho?

Quantas vezes chegamos ao final do dia com a sensação de que corremos e trabalhamos o dia todo, mas realizamos muito pouco, ou nada? E, pior, estamos mortos!

Quanto tempo de trabalho você diria que passa assim, oficialmente trabalhando, mas sem efetivamente trabalhar? Agora, imagina se você somasse todos esses minutos e os usasse para fazer outras coisas, como praticar um esporte, se dedicar a um hobby, ler um livro, ou mesmo fazer nada? Pare alguns segundos e tente imaginar como se sentiria em um dia em que você trabalhasse 4-6 horas e tivesse tempo para fazer outras coisas que são importantes para você? Imagine chegar ao fim do dia e não se sentir exausto(a), com energia ainda no tanque para curtir a sua família ou amigos e se dedicar a outras atividades importantes para a sua vida?

No livro The Way We’re Working Isn’t Working (A maneira como estamos trabalhando não está funcionando, em tradução livre), de Tony Schwartz e colaboradores, o autor argumenta que “seres humanos não foram projetados para funcionar como computadores, em alta velocidade, continuamente, por longos períodos de tempo.” Segundo o autor, estudos demonstram que somos mais bem-sucedidos quando atuamos em “pulsos” de trabalho intenso seguidos de períodos de descanso e recuperação. Assim, ao invés de seguirmos um padrão linear de gasto energético ao longo do dia, começando o dia com um reservatório energético cheio e terminando-o com o reservatório vazio, seria-nos mais benéfico pulsar, alternado períodos de alto gasto energético (“sprints”, como nas corridas) com períodos de reposição, de modo que chegássemos ao fim do dia com energia ainda no reservatório para outras coisas que são importantes para nós.

Gerenciamento energético

O segredo para se atingir isso está no gerenciamento energético. Basicamente, é importante que, ao longo do dia, você esteja consciente dos níveis energéticos no seu reservatório e, com o tempo, aprenda quais tipos de atividades ou alimentos são mais eficazes para reabastecê-lo.

No livro, Tony Schwartz chama as atividades e os alimentos altamente energizantes de “atividades e alimentos de alta octanagem”, para diferenciá-los das atividades e dos alimentos de baixa octanagem. Essencialmente, os estímulos de alta octanagem reabastecem o reservatório de forma sustentável e consistente, frequentemente incluindo outros benefícios além do energético, mesmo quando praticados por pouco tempo (10 minutos são suficientes) ou consumidos em baixa quantidade. Tais estímulos incluem exercícios físicos, ioga ou alongamento, carboidratos complexos, sonecas rápidas, proteínas magras etc.

Por outro lado, os estímulos de baixa octanagem elevam nossos níveis energéticos de forma breve e inconsistente, frequentemente incluindo efeitos negativos. Estes incluem cafeína, açúcar, televisão, cortisol (hormônio do estresse), álcool etc.

Quando se busca reabastecer o reservatório, é comum que se recorra ao que está mais acessível ou é mais habitual, geralmente estímulos de baixa octanagem, como café e açúcar, ou mesmo passar um tempo em frente a uma tela. Quem nunca tomou um café atrás do outro para entregar uma tradução no prazo? O problema é que quando fazemos isso:

  1. o aporte energético que recebemos desses estímulos é de baixíssima duração, visto que logo precisamos de mais, e
  2. estamos ignorando o fato de que não somos máquinas e nossas necessidades podem variar ao longo do dia, ou seja, o café ou a barra de chocolate nem sempre resolvem o cansaço.


    Um experimento

Para que você possa realmente gerir seu reservatório energético ao longo do dia, sugiro que faça primeiro um exercício de autoconhecimento. Proponho que, por duas semanas (pode ser só nos dias de trabalho e em horário comercial), você faça um diário que inclua:

  • quantas horas dormiu por noite;
  • o que comeu e bebeu antes do trabalho e ao longo do dia;
  • o que fez durante o trabalho e as pausas, e se o que fez foram atividades ativas, passiva ou ambas; e
  • como se sentiu no decorrer do dia, incluindo algumas observações, nos casos de um determinado estado emocional ser provocado por um fator externo, por exemplo, uma notícia ruim, uma briga etc.

Baixe aqui um modelo de diário em Excel.

O objetivo desse experimento é que você comece a entender como os estímulos a que se expõe ao longo do dia afetam os seus níveis energéticos e a sua produtividade. Preste atenção aos alimentos e às atividades mais energizantes e a como as suas percepções variam no decorrer do dia. Por exemplo, quando fiz este exercício percebi que exercícios físicos intensos são estimulantes para mim em qualquer momento do dia, mas eu me beneficio muito mais deles pela manhã. À tarde, após ter trabalhado várias horas, me sinto revigorada quando acabo a aula, mas logo depois, me sinto exausta. Por outro lado, se faço ioga à tarde sinto que minhas energias se renovam, mesmo que a aula tenha sido puxada.

Uma fórmula

Com o autoconhecimento proporcionado por essas observações analisadas com cuidado, comece a gerir deliberadamente a sua energia. Por exemplo, se estiver trabalhando em uma tradução complicada e perceber que a sua atenção está se desviando, avalie como está se sentindo, e não hesite em parar o que está fazendo para reabastecer. Permita-se alguns minutos de desligamento total do trabalho e faça e/ou consuma algo que seja altamente energizante. Você verá que seu rendimento aumentará consideravelmente!

Se tiver acordado com o reservatório já meio vazio por causa de uma noite mal dormida, em vez de simplesmente se sentar na cadeira e se forçar a trabalhar, escolha um estímulo de alta octanagem e abasteça o reservatório primeiro.

Entenda que este é um experimento que nunca termina, você estará sempre aprendendo mais sobre si mesmo(a); e de tempos em tempos, refaça o exercício do diário para avaliar o que mudou. Por exemplo, uma atividade pode ser relaxante por um tempo e depois deixar de ser.

Considerações finais

Vivemos em uma cultura de rotinas, e é muito fácil nos tratarmos como máquinas que devem funcionar sempre com determinado desempenho, independentemente das nossas emoções, comer as mesmas coisas e em horários pré-definidos, e se pudéssemos, teríamos agenda até para ir ao banheiro.

Contudo, nosso desempenho nunca superará o das máquinas enquanto agirmos como elas. O simples fato é que as máquinas são melhores do que nós em serem máquinas.

A nossa humanidade, com toda sua variabilidade e diversidade, é o nosso diferencial competitivo, e se quisermos realmente produzir o melhor trabalho de que somos capazes, no menor tempo, com melhor qualidade de vida, temos que parar de tentar impor hora para tudo e efetivamente gerir nossos níveis energéticos e o combustível que abastece o nosso sistema.

Na minha experiência, passei a realizar todo o trabalho que fazia antes em muito menos tempo, passei a ter tempo para o meu jardim (no meio da semana!), para os meus filhos…, mas o mais importante é que não chego mais ao fim do dia precisando me sentar em frente à televisão e “desligar”. Chego ao fim do dia cansada, mas tranquila, com energia ainda para ler e aprender muito.

Desejo a você também uma vida com menos trabalho, mais produtividade e bem-estar!

 

Sobre a autora

Karen Sexton é presidente da EAP Linguistcs Ltd., uma empresa de tradução sediada no Reino Unido e especializada em traduções nas áreas médica, de pesquisa de mercado e mídia. Karen é tradutora desde 2002, tendo começado sua carreira fazendo versões de artigos para o inglês para professores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde cursava ciências biológicas na época. Em 2007, Karen decidiu abandonar a carreira de pesquisadora médica para se dedicar em tempo integral à carreira de tradução. Atualmente, Karen se dedica à administração da EAP, mas principalmente ao desenvolvimento de sua equipe. Sua missão é criar uma empresa de tradução robusta e lucrativa que seja também humana e centrada em promover o bem-estar e a qualidade de vida de seus funcionários e colaboradores externos.

 

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